Tal qual brilhantemente observado pela mente do povo, do qual
Hugo Albuquerque é parte indissociável, a recente tragédia do Realengo não foi senão resultado direto do capitalismo e da colonização cultural deste País:
"Aqui, a tragédia causada por um jovem fundamentalista com problemas mentais que, como numa típica chacina americana, massacrou uma dúzia de crianças na escolas que estudou é só reflexo de algo que, há muito, acontece em nosso meio: a americanização da nossa sociedade, a reprodução - cada vez mais intensiva - de uma forma de recalque comum àquela máquina capitalista, produzindo efeitos semelhantes; o aumento dos casos de obesidade, de viciados em drogas - sobretudo antidepressivos - e, também, de chacinas desse tipo - "anômicas", dirão os partidários da analítica - não são fruto do acaso."
De fato, o capitalismo não produz nada além de conformismo. Todo e qualquer sinal de inconformidade é suprimido pela máquina do lucro, pela produção em massa; nos tornamos autômatos, reproduzindo milhares de unidades idênticas, presos numa linha de produção fordista.
Não escapam desse processo nem mesmo os criminosos. Outrora originais em seus crimes, nossos assassinos agora não fazem nada a não ser se curvar à cultura dominante. Em vez de brasileiros matarem como brasileiros, apenas reproduzem as formas e tipos ideais de chacina impostas pelo imperialismo.
Podemos esperar que em breve todos os crimes se tornem um só. Não haverá mais aquele crime de várzea, matreiro, um crime com um sorriso e um drible brasileiro. Nossos assassinatos serão apenas cópias, serão frios como os americanos, buscarão apenas o lucro. Serão matanças gananciosas, sem qualquer traço de compaixão, compaixão esta que é natural nas chacinas tipicamente brasileiras.
Se não houver uma verdadeira revolução proletária, a sociedade eventualmente será extinta, pois é só no socialismo que os crimes são de fato crimes e não apenas reproduções impensadas da cultura da elite.
Pode-se esperar que o imperialismo capitalista transforme todos os crimes em um só. Não haverá mais crimes nacionais, mas apenas crimes impostos pelo dominador estrangeiro. Haverá apenas a guerra, que é a única língua que os ianques sabem falar.
Pois, como disse Hugo Chávez, se houve vida em Marte, ela foi aniquilada pelo capitalismo e o imperialismo. Será que não vamos aprender essa lição?
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